O longo e incerto caminho para a reconstrução do Museu Nacional

Mulher mostra cartaz durante manifestação em repúdio ao incêndio no Museu Nacional, no Rio.© AFP Mulher mostra cartaz durante manifestação em repúdio ao incêndio no Museu Nacional, no Rio.

Um dia depois do mega incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, as autoridades e os pesquisadores ainda não têm respostas sobre o tamanho exato das perdas e muito menos as causas da tragédia — para além do descaso de sucessivos governos com a instituição. O momento agora é de espera: o Ministério Público Federal pediu a abertura de um inquérito para apurar as causas e eventuais responsabilidades pelo incêndio, e a Polícia Federal deverá fazer uma perícia, juntamente com a escola de engenharia da UFRJ, durante os próximos dias. Até que isso aconteça, o que existem são promessas das principais autoridades políticas. Nesta segunda-feira, o ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, anunciou que irá destinar imediatamente 10 milhões de reais para um plano de emergência.
"O Governo vai criar um comitê Executivo para acelerar a recuperação", anunciou o ministro da educação, juntamente com o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, e do reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher. Eles realizaram uma entrevista coletiva, inicialmente marcada para 14h30, apenas no final da tarde, após uma reunião. As três autoridades representam os três organismos responsáveis da instituição: a UFRJ, proprietária e mantenedora do museu, recebe suas verbas via repasses do Ministério da Educação, enquanto que o Ministério da Cultura, a partir do IPHAN e do IBRAM, órgãos nacionais de patrimônio e de museu, possuem responsabilidades normativas e de conservação. Os 10 milhões, que virão exclusivamente da pasta de Educação, deverão garantir de forma urgente a segurança do patrimônio, o cercamento do local e o reforço das estruturas, explicou da Silva. Uma empresa deverá ser contratada e, juntamente com os funcionários do Museu, começará a ser feito o trabalho de procura do que sobrou. "O que nós fizemos hoje foi dar o ponta pé inicial na reconstrução", disse Sá Leitão.
Depois, cinco milhões de reais deverão ser destinados para um projeto básico e um executivo, que Sá Leitão estima que ficará pronto até o início de 2020. A partir de então começa o trabalho efetivo de reconstrução. "Um projeto executivo leva de seis meses a um ano. Queremos dar a maior celeridade, por isso estamos fazendo uma parceria com a UNESCO, para fazer as contratações via este órgão", explicou o ministro da Cultura. Além desses 15 milhões de recursos, ele garantiu que o financiamento de 21,7 milhões do BNDES, aprovado anos antes da tragédia deste domingo, está mantido. Sá Leitão também garantiu ter colocado "a Lei Rouanet à disposição" da reconstrução do museu. "Recebi contatos da TIM, do Banco Icatu... o presidente Michel Temer conversou com a Febraban, com o Itaú, o Santander e o Bradesco. E também vai falar com as estatais, como o BB, a Caixa e o BNDES", completou.
A última etapa desse projeto, detalhou Sá Leitão, é a aquisição de "novos acervos que possam de alguma forma substituir o que se perdeu". O ministro da Educação falou por sua vez em "parcerias internacionais" para recompor o acervo.
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Responsabilidades

O reitor da UFRJ, instituição responsável por repassar os recursos que chegam através do Ministério da Educação, evitou fazer qualquer tipo de especulação sobre eventuais causas e culpados. Não se pode, argumentou, trabalhar de forma especulativa em momento delicado". Demonstrou confiança no trabalho da Polícia Federal, mas defendeu que a UFRJ também faça seu parecer para que haja um "refinamento" maior dos laudos sobre o incêndio. Ele disse que a instituição não possuía recursos suficientes para manter uma brigada de incêndio 24 horas no local.
Já Sá Leitão não poupou críticas ao que considera um modelo ineficaz de gestão dos museus universitários. Ele retirou a culpa do Governo Federal pela falta de financiamento e passou às próprias instituições. "Esses museus estão em condições muito precárias. Acho que falta sobretudo que os gestores das universidades, responsáveis pelos museus, empreendam ações no sentido de aumentar a base de recursos. Ficar apenas com recursos orçamentários não dá mais", defendeu o ministro da Cultura, que quer uma mudança no modelo. "Esse modelo 100% estatal está falido no Brasil. É preciso mudar o modelo de gestão desses museus e buscar outras fontes de recursos. Eu tenho colocado a Lei Rouanet à disposição, tenho procurado prefeitos e governadores para que se envolvam nesse processo. Mas isso é uma questão de postura desses gestores das universidades".
Fonte:https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/o-longo-e-incerto-caminho-para-a-reconstru%C3%A7%C3%A3o-do-museu-nacional/ar-BBMPV6n?li=AAggXC1&ocid=mailsignout
O longo e incerto caminho para a reconstrução do Museu Nacional O longo e incerto caminho para a reconstrução do Museu Nacional Reviewed by Fabiano Silva on 16:51:00 Rating: 5

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