“Não renuncio em hipótese alguma”, diz Dilma Rousseff


Em um duro discurso contra o processo de impeachment a que responde no Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff afirmou, ontem, que não “renunciará de jeito nenhum” e se apropriou de um dos gritos mais comuns dentre as pessoas que defendem o seu governo ao afirmar ter certeza de que “não vai ter golpe”.
“Nesse caso não cabem meias palavras, o que está em curso é um golpe contra a democracia. Eu jamais renunciarei”, afirmou Dilma ao participar de um ato de apoio de juristas, advogados, promotores e defensores públicos contrários ao seu impeachment em um evento aberto no Palácio do Planalto. Ela foi fortemente aplaudida pelos convidados.
Batizado de “Encontro com Juristas pela Legalidade da Democracia”, o evento reforçou o argumento do governo de que o processo de impedimento, em análise pela Câmara dos Deputados, não tem base legal.
Sem citar o juiz Sergio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, a presidente afirmou que ele “rasgou a Constituição” ao autorizar a divulgação de gravações telefônicas entre ela e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada.
Também sem ter seu nome citado pelos demais presentes, Moro foi o mais criticado pelos participantes. No total, onze professores, juízes, advogados e procuradores discursaram contra “abusos do Poder Judiciário”, os vazamentos de gravações telefônicas envolvendo a presidente da República e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, atribuídos por alguns a Moro, a ascensão de grupos fascistas que pregam a violência como atuação política, e o combate à corrupção como argumento para que o governo Dilma seja derrubado para que outros grupos políticos assumam o poder.
Campanha
O objetivo do governo e dos grupos de apoio ao planejar o evento foi construir algo semelhante ao que o país viveu com a Campanha pela Legalidade na década de 1960, após a renúncia do presidente Jânio Quadros, pela defesa da posse de João Goulart, na época, vice-presidente. Na ocasião, os defensores da causa conclamavam as pessoas à saírem ás ruas para manter o Estado de Direito.
Durante os discursos, os juristas defenderam que qualquer ato de corrupção deve ser investigado e punido mas alertaram para o fato de que o combate à práticas ilícitas não pode ser usado como desculpa para se cometer “abusos jurídicos”. Eles também reclamaram da seletividade das investigações e afirmaram que forças contrárias ao governo querem retomar o poder federal.
O evento durou cerca de três horas e Dilma recebeu diversos documentos de apoio ao seu governo assinados por associações de magistrados e centros acadêmicos. Também foi lido um manifesto da “nova campanha pela legalidade”.
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