Lunga e Ronnas Motos sob ameaça de renuncia e cadeia

A Polícia continua a investigar – agora com provas colhidas durante a “Operação A Faxina” – a denúncia de desvio de dinheiro na Câmara de Juazeiro do Norte. Embora tenha optado por um trabalho sigiloso, para não prejudicar o andamento das investigações, a expectativa é de que seja solicitada, ainda nesta semana, a prisão o presidente da Câmara, Antônio de Lunga, e do tesoureiro Ronnas Motos. Na sessão legislativa desta terça-feira (27), os vereadores devem abordar o assunto na Casa. E, também, colocar em debate o afastamento dos vereadores envolvidos no caso.
 
De acordo com o delegado que chefiou a operação, Tenório de Brito, o material apreendido – computadores e documentos - será enviado para a análise pericial e contábil, nos núcleos de Fortaleza, já que há escassez de peritos com esta especialidade em Juazeiro do Norte.
 
A polícia tem provas que apontam fraude no sistema administrativo e, neste caso, talvez não seja necessária a oitiva com Antônio de Lunga e Ronnas Motos. “Neste tipo de crime, o mais importante é a questão documental. Pouco altera esta questão testemunhal. O que a gente precisa mais são os documentos. Em relação a interrogar as testemunhas para estas dizerem que não sabem ou que nunca viram nem tem conhecimento, isto pouco interessa para a gente. O que interessa são documentos, que serão analisados”, enfatizou Tenório. 
 
A Operação
 
A denúncia do vereador Danty Benedito, que acusou o presidente da Câmara de Juazeiro do Norte, Antônio de Lunga, de comprar, com notas frias, material de higienização e de copa em quantidade superior a demanda real do poder legislativo juazeirense, levou a Polícia Civil a deflagrar a “Operação A Faxina”, no último sábado (24), que visitou e apreendeu material em sete locais, entre eles, a casa de Antônio de Lunga e do tesoureiro da Casa, vereador Ronnas Motos, no último sábado (24). Os policiais, sob o comando do delegado Tenório de Brito, cumpriram mandado de busca e apreensão expedito pela juíza Ana Raquel Colares dos Santos Linard, titular do Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Juazeiro do Norte.
 
Os delegados Levi Leal, Marcos Antônio e Víctor Timbó também participaram da operação, visitando o almoxarifado e o anexo da Câmara, as sedes das empresas “S da S Sousa – ME” e “Priscila Cardoso da Rocha – ME” (apontadas na denúncia de Danty Benedito como laranjas), e o depósito onde está estocada grande quantidade de mercadoria resultado da última compra realizada por Antônio de Lunga. Foram apreendidos computadores e documentos com informações sobre as compras efetuadas sob a suspeita de fraude. Nos locais, os policiais procuravam provas para o inquérito que investiga desvio de dinheiro público, formação de quadrilha e fraude em licitação.
 
No depósito e no anexo da Câmara foram encontrados uma grande quantidade de materiais de consumo, o que, segundo os delegados, era esperado. Para o delegado Tenório de Brito, a grande surpresa é a quantidade, por exemplo, de papel higiênico estocado no anexo da Casa. Segundo avaliação parcial do delegado, em 10 anos os vereadores que integram a Câmara não conseguirão usar tanto papel.
 
De acordo com o delegado Vitor Timbó, o objetivo da investigação era direcionar para a questão das vassouras, escandalizada na mídia nos últimos dias, mas com os documentos e materiais descobertos a investigação deve se ampliar. Os delegados encontraram, além do equivalente a mais de um caminhão de papel higiênico, documentos e processos licitatórios com valores absurdos como R$ 15 mil em açúcar e R$ 10 mil gastos em copinhos de café. Para Tenório de Brito ficou claro que os princípios que norteiam a administração pública estão sendo desrespeitados. “O que estamos vendo aqui é algo que fere o princípio da eficiência na administração pública,” disse Tenório.
 
Operação abafa 
 
Os vereadores encaminharam uma verdadeira operação abafa para proteger o presidente Antônio de Lunga. Em reunião, onde estavam presentes 19 dos 21 vereadores, o presidente tentou entregar o cargo. Ele disse que renunciaria desde que fosse afastada, também, toda a Mesa Diretora da Casa. A proposta foi rejeitada pela maioria.
 
O vereador Darlan Lobo (PMDB), primeiro vice-presidente, disse que não aceita o afastamento da Mesa Diretora. “Não roubei e por isso não vou me afastar. Quem mexeu o angu, que coma,” disse Darlan.
 
Ânimos acirrados
 
Antônio de Lunga resolveu romper o silêncio e partiu para o ataque. “Não empresto dinheiro da Câmara e não compro assessoria. Tudo isso é ilegal, analisem a informação e, no momento oportuno, todos irão saber a verdade,” disparou.
 
Na sessão da última quinta-feira (23), após divulgar uma nota de esclarecimento, onde considera a situação mais um infeliz equívoco do que qualquer sentimento de má fé, Lunga partiu, outra vez, para o ataque, dizendo que o vereador Darlan estava tirando a discussão do campo político para o pessoal.
 
Citado no pronunciamento, Darlan tentou, primeiro, um à parte e depois uma defesa, mas não foi atendido. O vereador acabou tomando a palavra para dizer que a Câmara estava voltando ao tempo dos coronéis, se retirando da sessão. Na saída, Darlan argumentou que é um direito do vereador se pronunciar quanto for citado. “Como ele não me deu a palavra, vou pedir judicialmente o direito para me pronunciar livremente”. Darlan disse, ainda, que na sessão desta terça-feira vai falar, mesmo sem a vontade do presidente. 
 
Ações de bastidores
 
Avaliando não ter as sete assinaturas necessárias para abertura da Comissão Processante, o vereador Danty Benedito (PMN) deve ampliar, ainda mais, a investigação para Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF). No Ministério Público Estadual, onde foi feita a primeira denúncia, a informação é de que os documentos estão sob análise e ainda não há posicionamento oficial. Mas, há uma expectativa de que, comprovado o volume exorbitante, já é possível evidenciar improbidade. Sobre o afastamento, com exceção de Cláudio Luz, Darlan Lobo e Danty Benedito - autor da denúncia -, os vereadores preferem não falar sobre o caso. Mas, nos bastidores, cinco dos 21 vereadores já admitem assinar qualquer pedido de investigação ou afastamento do presidente. Seria preciso 14 assinaturas para o afastamento pela Casa
 
Fonte: Jornal do Cariri 
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